segunda-feira, 5 de outubro de 2009



Muitos ainda recordam as inúmeras campanhas nas décadas de 70 e 80 contra a matança das focas bebés à paulada, mas apenas poucos percebem que o número de focas a serem mortas cresce a cada ano que passa. Em 2002, durante a época de caça oficial, foram assassinadas mais de 300.000 espécimes.O Governo Canadiano parece ter declarado guerra a estes animais, e nos próximos 3 anos prevê-se que cerca de 1 milhão de focas sejam brutalmente mortas. Este número leva-nos a crer que estamos perante a maior e mais devastadora caça que alguma vez a história testemunhou.O Governo Canadiano está a servir-se destes animais, numa tentativa descarada de os tornar seus bodes expiatórios, de forma a proteger o seu comércio de pesca. A verdadeira razão para o défice das populações que vivem do comércio do peixe tem mais a ver com o aumento populacional destas, daí ser eticamente errado servir-se da caça às focas para que lhes sejam pagos os subsídios governamentais.Na verdade, reduzir o número destes animais pode empecer a indústria da pesca do bacalhau, uma vez que as focas bebés atacam as espécies que, por sua vez, atacam o bacalhau. A situação não é tão simples, quanto o governo canadense quer fazer parecer, e as focas estão a ser usadas por conveniência política de funcionários pouco visionários.O Governo Canadiano aumentou o número de focas a serem legalmente abatidas nos próximos dois anos para 350.000, e 275.000 no seguinte. Acreditamos que este número não pode ser justificado por estudos científicos, como nos querem fazer crer, e não toma em consideração as mudanças climatéricas que têm efeito na qualidade de vida dos focídeos.No decorrer dos últimos anos, devido a um aumento nas temperaturas sazonais, o gelo no golfo de St. Lawrence e na Terra Nova (as principais áreas de caça) tem derretido antes do previsto. Ora, isto é extremamente importante para os focídeos, pois as focas bebés passam várias semanas no gelo depois de nascerem. Se o gelo derreter, elas vão afogar-se, pois com várias semanas são ainda incapazes de nadar. No ano transacto, este problema foi de tal modo grave, que muitos bebés desta espécie desapareceram. As previsões meteorológicas prevêem que o mesmo irá acontecer este ano!A situação é tão séria, que não podemos simplesmente recostar-nos e assistir o Governo Canadiano a cometer crimes horrendos contra a Natureza.


A história
Em 1983 a União Europeia baniu a importação de produtos oriundos da caça às focas bebés. Consequentemente, em 1987, a “Royal Canadian Comission” recomendou a proibição da matança destes focídeos. Em 1993 as “Marine Mammal Regulations” canadianas (leis que regulam a vida dos mamíferos marinhos) reformaram esta norma, proibindo o comércio de peles brancas ou de peles dos progénitos da raça “blueback” (conhecidas por apresentaram uma mancha azulada no lombo). Mas na realidade estas medidas só alteraram um pouco a situação.Isto significa que agora uma foca nórdica pode ser legalmente morta assim que comece a perder a sua pele branca, o que sucede aproximadamente ao 10º / 12º dia após o seu nascimento, enquanto as de raça “blueback” são assassinadas por volta dos 15 / 16 meses, quando a sua mancha azulada começa a desvanecer.Sendo que os produtos desta caça não estão totalmente proibidos pela lei de interdição de comércio da União Europeia, vários estilistas deste continente continuam a usar a pele de foca na confecção das suas colecções. Para além disso até a carne e o óleo de foca são importados para a Europa.A caça às focas tem sido objecto de uma rigorosa gestão desde os anos 70, mas o número de animais a serem abatidos anualmente é unicamente justificado pelas exigências de mercado, e nunca por evidências científicas. Por isso mesmo, a meados dos anos 90, a matança aumentou consideravelmente, uma vez que os subsídios do governo aos caçadores os encorajava a matar ainda mais focas.A morte destes animais que contam apenas alguns dias de vida é, em si, ofensiva, mas se pensarmos no modo como são caçados, o cenário torna-se ainda mais aterrorizador. Ainda no início da época oficial da caça, que começou no passado dia 15 de Março, muitas focas nórdicas estavam a ser mortas à paulada ou picadas com um gancho. Na altura do degelo elas irão ser abatidas a tiro de carabina.Mas porque a caça às focas é perpetrada por caçadores em traineiras, ou em barcos em movimento, estas focas são mortas (ou fatalmente lesadas), mas nem todas são levadas para exploração, ficando a agoniar até à morte.O número de focas brutalmente mortas por ano é calculado pelas transacções comerciais, o que nos leva a considerar que o número real é bastante maior. Aliás, no passado, o número legal de focas a serem abatidas foi largamente ultrapassado, e os oficiais responsáveis pela regulamentação desta caça preferiram “fechar os olhos”, ao invés de censurar ou até condenar os caçadores.O Governo do Canadá afirma que a caça comercial às focas é levada a cabo segundo princípios de sensibilidade humana e bem regulamentada, mas veterinários independentes discordam. Em 2001 uma equipa observou o trabalho dos caçadores, e analisou as carcaças deixadas no gelo. Concluíram então que 79% destes predadores nem sequer verificavam se o animal estava realmente morto aquando do seu esfolamento. Em 40% dos casos, o animal teve de ser alvejado ou batido uma segunda vez, e espantosamente, 42% destes focídeos estavam conscientes quando esfolados. Apesar destas informações terem chegado ao Governo Canadiano, nenhuma prossecução teve resultado.Entretanto, outros dados vão indignando o resto do mundo, uma vez que todos os produtos derivados da caça às focas têm mais a ver com luxo, do que com necessidade. Na verdade, muitas carcaças são deixadas para trás durante a caça, revelando que o que importa não é a carne destes animais, mas as suas peles, para que sejam vendidas à indústria da moda.Efectivamente, desde há muito tempo, os oficiais do governo canadense tentam estudar novos proveitos para fundamentar esta caça, mas a única parte destes animais que pode ser economicamente profícua é a sua pele. Uma pele que serve apenas a fútil indústria da moda, para que terceiros se possam adornar com uma beleza que não é a sua!

A importância do boicote
O Canadá está a dar pouca importância à oposição internacional e mostra desprezo pela opinião mundial, que de um modo generalizado objecta a caça às focas, e, sem qualquer pudor, as entidades governamentais daquele país continuam a promover a mais cruel perseguição animal de toda a história.É tempo para todos mostrarmos que não toleraremos estes excessos. O Canadá está descaradamente a vetar uma lei Europeia que visa parar com esta terrível matança, e é agora altura de nos insurgirmos contra esta verdadeira atrocidade.Se compararmos a fonte de rendimentos entre o turismo proveniente do Reino Unido, por exemplo (cerca de 1 bilião de dólares canadianos por ano), e os lucros que o Canadá obtém da caça aos focídeos (aproximadamente apenas 6 milhões de dólares), percebemos que, de facto, esta indústria não é assim tão significativa na economia canadense.Aliás, tomando os custos dos subsídios em consideração, uma vez que esta caça é fortemente subsidiada pelo Governo Canadiano, o lucro desta indústria é somente de 3 milhões de dólares canadianos.Manter-se longe do Canadá é o único modo de garantir que o nosso dinheiro não está a ser usado para fazer face aos custos dos subsídios para a matança das focas, e vai chamar a atenção daquele Governo, quando este perceber que o seu turismo e comércios estão em declínio.O slogan da Comissão de Turismo do Canadá é “Discover our true Nature”, que numa tradução aproximada seria “Descubra a nossa verdadeira Natureza” – sendo que a sua verdadeira natureza envolve espancar focas bebés até à morte ou esfolá-las enquanto estão ainda vivas, este slogan acaba por não estar muito adequado.A “Humane Society” (E.U.A.) tem estado a acompanhar esta grave mortandade desde o primeiro dia, e são inúmeros os vídeos e relatos que colocam a descoberto o modo atroz como tudo acontece, por isso não estar devidamente informado é, só por si, estar cúmplice deste grotesco genocídio.


Tomadas de posição
Quanto tempo mais vamos querer ignorar tamanha crueldade em nome dos benefícios comerciais?As imagens que reportam o modo grotesco como esta caça é praticada têm corrido todo o mundo, e não deixam ninguém indiferente. Vários cidadãos dos vários continentes insurgem-se em manifestações e clamam ao Governo Canadiano que pare com esta perseguição hedionda de uma vez por todas.Aliás, os movimentos têm sido tão fortes, que vários políticos norte-americanos, ingleses e de muitas outras nacionalidades têm exercido pressão sobre o governo canadense para que tome uma posição digna e ética, parando com a perseguição àqueles animais.O Senado Mexicano tomou até uma considerável medida, exigindo ao seu Ministro da Economia que interdite a importação de qualquer produto derivado de focas oriundo do Canadá. Esta é uma decisão esmerada e estratégica, uma vez que o México é um aliado do Canadá no Acordo de Comércio Livre norte-americano.Numa outra tentativa de demover o Governo Canadiano, a HSUS e outras associações que fazem parte da rede de protecção dos focídeos estão a pedir aos consumidores de vários pontos do globo que boicotem diversos produtos canadianos, principalmente o marisco, por forma a garantir que o dinheiro usado na sua compra não seja encaminhado para os subsídios que estão a ser pagos aos caçadores para continuarem a matar brutalmente as focas bebés.Para além de todas estas medidas governamentais, vários foram os intelectuais que se reuniram e escreveram ao Primeiro-ministro Canadiano, Paul Martin, tentando dissuadi-lo a parar com a caça.Os nossos valores humanos são julgados pelo modo como tratamos os que estão vulneráveis a nós. E quem mais vulnerável, senão uma pequena cria, que conta apenas alguns dias, deixada ao abandono e ao triste fado de uma morte indescritivelmente desumana?Não há qualquer desculpa que justifique não se tomar uma posição governamental que evidencie a nossa indignação.

Direitos dos Animais



Artigo 1º1. Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência.
Artigo 2º1. Todo o animal tem o direito de ser respeitado. 2. O homem, enquanto espécie animal, não pode atribuir-se o direito de exterminar os outros animais ou de os explorar, violando esse direito. Tem a obrigação de empregar os seus conhecimentos ao serviço dos animais. 3. Todos os animais têm direito à atenção, aos cuidados e à protecção do homem.
Artigo 3º1. Nenhum animal será submetido a maus tratos nem a actos cruéis. 2. Se a morte de um animal é necessária, esta deve ser instantânea, indolor e não geradora de angústia.
Artigo 4º1. Todo o animal pertencente a uma espécie selvagem tem o direito de viver livre no seu próprio ambiente natural, terrestre, aéreo ou aquático, e a reproduzir-se. 2. Toda a privação de liberdade, incluindo aquela que tenha fins educativos, é contrária a este direito.
Artigo 5º1. Todo o animal pertencente a uma espécie que viva tradicionalmente em contacto com o homem, tem o direito a viver e a crescer ao ritmo das condições de vida e liberdade que sejam próprias da sua espécie. 2. Toda a modificação do dito ritmo ou das ditas condições, que seja imposta pelo homem com fins comerciais, é contrária ao referido direito.
Artigo 6º1. Todo o animal que o homem tenha escolhido por companheiro, tem direito a que a duração da sua vida seja conforme à sua longevidade natural. 2. O abandono de um animal é um acto cruel e degradante.
Artigo 7º1. Todo o animal de trabalho tem direito a um limite razoável de tempo e intensidade de trabalho, a uma alimentação reparadora e ao repouso.
Artigo 8º1. A experimentação animal que implique um sofrimento físico e psicológico é incompatível com os direitos do animal, quer se trate de experimentações médicas, cientificas, comerciais ou qualquer outra forma de experimentação. 2. As técnicas experimentais alternativas devem ser utilizadas e desenvolvidas.
Artigo 9º1. Quando um animal é criado para a alimentação humana, deve ser nutrido, instalado e transportado, assim como sacrificado sem que desses actos resulte para ele motivo de ansiedade ou de dor.
Artigo 10º1. Nenhum animal deve ser explorado para entretenimento do homem. 2. As exibições de animais e os espectáculos que se sirvam de animais, são incompatíveis com a dignidade do animal.
Artigo 11º1. Todo o acto que implique a morte de um animal, sem necessidade, é um biocídio, ou seja, um crime contra a vida.
Artigo 12º1. Todo o acto que implique a morte de um grande número de animais selvagens é um genocídio, ou seja, um crime contra a espécie. 2. A contaminação e destruição do ambiente natural conduzem ao genocídio.
Artigo 13º1. Um animal morto deve ser tratado com respeito. 2. As cenas de violência nas quais os animais são vítimas, devem ser proibidas no cinema e na televisão, salvo se essas cenas têm como fim mostrar os atentados contra os direitos do animal.
Artigo 14º1. Os organismos de protecção e salvaguarda dos animais devem ser representados a nível governamental. 2. Os direitos dos animais devem ser defendidos pela Lei, assim como o são os direitos do homem.
Esta declaração foi proclamada em 15 de Outubro de 1978 e aprovada pela UNESCO, e posteriorment
e, pela ONU.

Dia Mundial do Animal


O dia mundial do animal, 4 de Outubro, celebra-se desde 1930 em mais de 45 países. Neste dia os homenageados são os nossos amigos e companheiros animais. Não só devemos amar e respeitar os animais que vivem nas nossas casas, como também devemos reflectir e lembrarmo-nos dos muitos animais que sofrem às mãos humanas. Cães, gatos, aves, porcos, vacas, répteis, cabras, ovelhas são explorados sem que muitas vezes nos apercebamos. A melhor homenagem que podemos prestar a estas inocentes vítimas é transmitir a mais pessoas o que realmente acontece em laboratórios, matadouros, circos, rodeios, etc, para que elas boicotem o que estiver envolvido no sofrimento animal. Já pensaste no bom que seria no futuro festejar-se o dia do animal e já não existir a tortura massiva que faz parte da actualidade? Pensar que os animais já não eram explorados e que os seus direitos (proclamados pela UNESCO em 1978) eram devidamente respeitados? Utópico...? Pode ser um futuro próximo. E se gostas de animais, podes tomar uma parte activa e contribuir para que este futuro se aproxime. Nos últimos anos, associações de defesa animal (como a LPDA - Liga Portuguesa dos Direitos dos Animais) têm organizado eventos e campanhas de adopção para comemorar o dia mundial do animal.